Mato Grosso

Ao Sul de Setembro – Chapada dos Guimarães (MT)

—> Pensando em realizar um longa-metragem, um cineasta pesquisa a história de um poeta que na década de setenta viveu na zona rural da Chapada dos Guimarães (MT) e que tendo perdido a mulher, desaparecida misteriosamente no mês de agosto de l975, passou mais de vinte anos, indo todos os dias à beira da estrada de chão batido, que passava à uns cinqüenta metros da porta de sua casa, com um buquê de flores, esperar pelo ônibus, na esperança que ele trouxesse de volta seu grande amor. Enquanto esperava, escrevia poemas em um caderno. Como o ônibus sempre passava direto, arrancava o poema do caderno e colava na parede de sua casa… O buquê, de frescas flores do campo, ele fincava no terreiro…
Com o passar dos anos, a linha de ônibus foi desativada, a casa foi ruindo, mas o poeta, cansado e envelhecido pela solidão, continuou indo pra beira da estrada, na mesma hora, todos os dias, semanas, anos…. Ruiu com a casa, misturou-se ao cerrado, sumiu… Muitos de seus poemas se desprenderam das paredes, voaram pelo quintal, pelo cerrado… Dizem até que o vento, às vezes, lê seus poemas e que nas noites enluaradas ouve-se seus versos desesperados à beira do despenhadeiro!
A velha casa em ruínas ainda está lá e tem fama de ser mal assombrada. A lenda do “velho poeta” corre à boca pequena, assanhando o medo e a curiosidade dos moradores de um assentamento próximo.
Uma jornalista de Cuiabá, amiga do cineasta, é convidada para ajudar na elaboração do roteiro. Num sábado à tarde, pega o carro e sobe para Chapada para encontrar-se com o amigo e começar o trabalho. No caminho, pára pra descansar numa cachoeira na beira da estrada e sentando-se à sombra de uma árvore, adormece…
Quando chega na cidade não encontra o cineasta e resolve, por conta própria, desvendar a história do “velho poeta”. Chega no assentamento, próximo da casa em ruínas e lá encontra um “contador de causos” , um garimpeiro aposentado, apaixonado por cinema e que diz saber tudo sobre o “velho poeta”. Antes de entrar no assunto principal, o velho garimpeiro lhe conta algumas histórias de “cinema”, acontecidas nos garimpos onde viveu.
Enquanto ela conversa com o garimpeiro na porta do barraco, na cidade, o cineasta começa a se preocupar com sua demora.
Depois de várias xícaras de café e de ouvir a incrível história do ” velho poeta”, a jornalista resolve conhecer a casa em ruínas e quem sabe encontrar o seu misterioso morador. Nas paredes estão dezenas e dezenas de poemas e ela, pacientemente, começa a lê-los… Algum tempo depois, um barulho vindo do terreiro assusta-a e ela acorda na cachoeira à beira da estrada, onde havia parado pra descansar… Verifica ter sido sonho tudo o que se passou. Ela então segue para a cidadezinha e relata ao amigo a incrível história, passível de ser a própria história do filme. Ele pede a sugestão de um nome para o trabalho e ela sem hesitar sugere AO SUL DE SETEMBRO, o nome do livro de poemas que o poeta escrevia esperando por sua amada.

–> Longa Metragem de Amauri Tangará

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